Exposição de Gabriel Wickbold na Galeria Lume
15-agosto-2014

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Ontem ocorreu a vernissage da exposição de Gabriel Wickbold, para a Galeria Lume. A exposição vai até dia 21 de setembro e está emocionante.

As fotos são de corpos que parecem estar flutuando, no ar ou no água e depois são tratadas: raspadas, queimadas entre outras técnicas, resultando nas telas ali expostas. São corpos nus e expressivos. Muito bonito, vale a pena conferir.

Abaixo, o texto da exposição, muito bem escrito por Diógenes Moura, Escritor e Curador de Fotografia:

“O beco estreito do tempo está sem saída. Uma fotografa não é um espelho: diante do espelho sempre queremos parecer perfeitos, matéria para consumo. Cometemos os mesmos enganos. Diante do espelho você não se perdoa, quer ser bonito, adorado, encantador, quando na verdade o tempo aos poucos vai lhe tirando essa possibilidade. Os corpos “perfeitos” e iluminados como uma natureza morta que Gabriel Wickbold fotografou no seu estúdio/ caixa preta-renascentista estão prontos para serem corroídos. Ele, o fotógrafo, tenta saber por que queremos ser sempre perfeitos. Na poética das poses que aqui flutuam cada corpo está fadado ao desaparecimento. Engolidos por grilos numa festa com trilha sonora exclusiva, todos terão um futuro abissal: da superfície da fotografia restará apenas a marca do destino como resultado final. Na superfície dos corpos a segunda pele estará visível. Os produtos de beleza perderão a guerra. A nódoa da alma estará em riste.

A fotografia afina o desafio no universo da imagem fragmentada, no mundo enfermo do selfie (o olhar nada-além), na máscara impressa do dia seguinte, no medo contido face a face. Por que você não olha para mim com todas as suas rugas, cicatrizes, zonas de silêncio, perturbação, memória, esquecimento? Quem de nós será eterno? Sans Tache- Sem marcas é uma epígrafe. Uma passagem. O fotógrafo quer seguir adiante. Pensa ver outro como a si mesmo. Esses retratos quase desaparecidos e guardados em cápsulas não formam um anúncio publicitário para vender poros e músculos. Nem mesmo o artista sabe como será o próximo minuto. Sua fotografia propõe um pensamento, uma resposta. Nossa imperfeição está em jogo: lembra, corpo?

O beco estreito do tempo não tem saída. A fotografia não é um espelho. Mas poderá ser o reflexo de nós mesmos.”

Postado por: origami | Comentários: 0

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